Temu: o novo gigante chinês do e-commerce está chegando

A Temu está chegando ao Brasil. Saiba como o app de e-commerce que já superou a Shein nos EUA vai operar no país.
Tela do app Temu para download em loja de apps.

Você já conhece a Shein, a empresa chinesa que vende roupas baratas pela internet e que vem incomodando os varejistas brasileiros. Mas você sabia que ela tem um concorrente ainda mais forte e que está prestes a chegar ao Brasil? 

É a Temu, um aplicativo de e-commerce que pertence ao grupo Pinduoduo, uma das maiores plataformas de compras online da China, com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões.

Além disso, o aplicativo chinês foi o mais baixado nos Estados Unidos, com 10 milhões de downloads na iOS App Store e Google Play Store entre 26 de fevereiro a 26 de março de 2023, de acordo com o Statista

 

Gráfico Statista com o número de downloads da Temu nos EUA
Aplicativos mais baixados nos EUA em março de 2023 | Fonte: Statista

No geral, já foram mais de 50 milhões de downloads desde que foi lançado, no final de 2022. Ou seja, a marca que SHEIN e Wish levaram cerca de 3 anos para ultrapassar, a Temu alcançou em apenas sete meses.

Temu: o que é e como funciona?

A Temu foi fundada em 2015 pelo ex-engenheiro do Google, Colin Huang – empresário cuja fortuna é avaliada em quase US$ 30 bilhões pela Bloomberg – e faz parte do Grupo Pinduoduo que tem sede em Xangai e capital aberto na Nasdaq.

O objetivo da organização é oferecer produtos de diversos segmentos, como roupas, eletrônicos, beleza, casa e jardim, a preços muito baixos e com entrega rápida, com o lema: “Compre como um bilionário”.

Para isso, a Temu usa um modelo de marketplace, conectando os consumidores diretamente aos fabricantes, sem intermediários.

Além disso, a companhia aposta em uma estratégia de marketing baseada em influenciadores digitais, que divulgam a marca e os produtos em suas redes sociais e recebem comissão pelas vendas geradas.

Vale salientar que o aplicativo da Temu é o principal canal de vendas da empresa, mas também existe um site. O app é gratuito e está disponível para Android e iOS. Nele, os usuários podem navegar por diversas categorias, ver as ofertas do dia, acompanhar seus pedidos e entrar em contato com o serviço de atendimento ao cliente.

Sucesso nos EUA e expansão global

Em menos de um ano de existência, a Temu já se tornou um fenômeno nos Estados Unidos, o maior mercado de e-commerce do mundo.

Segundo dados da Bloomberg Second Measure, que analisa transações com cartões de crédito e débito, a Temu vendeu 20% mais do que a Shein no mercado americano em maio deste ano.

Além disso, a Temu é o aplicativo de e-commerce mais baixado dos Estados Unidos, superando a Shein e outras gigantes como Amazon e Walmart. De acordo com um levantamento da consultoria americana Marketplace Pulse, a Temu e a Shein são os apps de e-commerce mais baixados em 25 das 50 maiores economias do mundo.

Gráfico mostrando a ascensão da Temu
A ascensão da participação de mercado da Temu nos EUA | Fonte: Apptopia

Mais que isso, a Temu já está à frente da Shein em 12 desses mercados, incluindo Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Austrália, Espanha, Holanda, Suíça, Áustria e Nova Zelândia. “Downloads não são receita, mas downloads indicam ambição”, escreveu Juozas Kaziukėnas, fundador do Marketplace Pulse.

Planos para o Brasil, desafios e polêmicas

A empresa já está se preparando para entrar no Brasil até o fim deste ano, de acordo com lenvantamento realizado pela NeoFeed.

Para isso, a empresa está seguindo um roteiro típico das empresas chinesas que querem operar no país: no começo do ano, uma delegação de chineses veio visitar o Brasil. Em seguida, um grupo se mudou para o país para começar a estruturar a operação.

A ideia é vender no Brasil por meio de uma operação cross-border clássica de muitas empresas chinesas: importando diretamente mercadorias da China.

Uma das formas de ganhar projeção rápida é se associar com influenciadores digitais brasileiros para que possam divulgar a marca e vender produtos diretamente. 

No entanto, apesar do sucesso meteórico, a companhia também enfrenta alguns desafios e polêmicas. Um deles é a relação com o governo americano, que tem aumentado as restrições aos negócios chineses no país.

Além disso, outro ponto de atenção é a concorrência acirrada com a Shein, que não está disposta a perder espaço para a novata, já tendo, inclusive, acionado a justiça com acusações de “declarações falsas e enganosas” em suas promoções. 

  • Amanda Moura

    Amanda Moura é formada em Ciências Sociais e do Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e se dedica a estudar comportamento, consumo e tendências.

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