Kangu: a startup de logística que conquistou o Mercado Livre

Entenda como a Kangu disruptou o mercado e conquistou a atenção de grandes players através de uma nova experiência de entrega.
Placa com os dizeres: "aqui é um ponto Kangu"
Placa com os dizeres: "aqui é um ponto Kangu"

Em agosto de 2021, o  Mercado Livre anunciou a aquisição de 100% da plataforma de entrega de encomendas Kangu  por um valor não revelado. Segundo a companhia, no ano anterior, a logtech teria obtido um aumento de 100 vezes em seu faturamento. 

Qual teria sido, então, o segredo da startup para crescer em uma velocidade tão acelerada e conquistar, em cheio, a empresa de tecnologia mais valiosa da América Latina?

Para responder a essa pergunta, é preciso conhecer a história, o modelo de negócio e a proposta de valor da Kangu, plataforma de fretes econômicos e sustentáveis que transformou a forma como e-commerce brasileiro faz entregas.

A origem da Kangu 🦘

A ideação da Kangu começou em 2014, quando três profissionais com vasta experiência na área perceberam a lacuna do mercado de transportes brasileiros (existiam muitos obstáculos na realização de  entregas e coletas de forma pulverizada e só os Correios pareciam estar atendendo a essa demanda).

O primeiro projeto de um modelo logístico inovador, inspirado no conceito de economia compartilhada, foi então apresentado em um congresso no exterior, em 2018, recebendo a aprovação de renomados especialistas do setor.

A partir desse momento, a semente da Kangu foi plantada e a decisão de desenvolver uma startup de logística foi tomada em definitivo.

Nascida oficialmente em 2019 com o objetivo de simplificar as soluções logísticas para o comércio eletrônico com inovação, tecnologia e sustentabilidade, a Kangu foi fundada por Marcelo Guarnieri, Ricardo Araújo e Celso Queiroz, com a missão de oferecer uma interface de gestão de envios capaz de conectar lojistas, transportadoras e pontos de postagem em uma rede inteligente e integrada.

Marcelo Guarnieri, Ricardo Araújo e Celso Queiroz abraçados
Os cofundadores da Kangu, Marcelo Guarnieri, Ricardo Araujo e Celso Queiroz | Fonte: Bloomberg Línea

Nesse sentido, os pontos de postagem escolhidos pela companhia são estabelecimentos comerciais do bairro, como lojas de roupas, papelaria e pet shops, que funcionam como locais para envio e retirada de mercadorias.

Assim, os lojistas podem reduzir os custos e o tempo de entrega dos produtos, além de contar com serviços como logística reversa e retirada de encomendas pelo próprio cliente direto no ponto Kangu. 

Mais que isso, os consumidores podem escolher a melhor opção para receber a mercadoria, seja em casa ou em um ponto próximo, otimizando as rotas e aumentando a capilaridade das transportadoras. Para os pontos de postagem, essa estrutura pode gerar renda extra e atrair novos clientes.

Além disso, a Kangu busca criar uma comunidade que beneficia todos os envolvidos na cadeia de distribuição, utilizando a tecnologia para facilitar o processo e reduzir o impacto ambiental. Mais que isso, a startup se preocupa com o desenvolvimento social e econômico das regiões onde atua, apoiando o comércio local e gerando oportunidades de trabalho.

A parceria que levou a startup para um novo patamar de crescimento

Em 2020, o Mercado Livre que já atuava como parceiro e cliente da Kangu desde 2019, transformou-se em seu mais novo sócio, oferecendo a expertise necessária para uma atuação mais próxima e assertiva em termos de volume de entregas e crescimento.

“O Mercado Livre nos apoiou desde o início para que a Kangu crescesse seu negócio. A oficialização de tê-lo como nosso sócio é uma evolução natural desta parceria e do bom entrosamento entre as empresas”. – Marcelo Guarnieri, CEO da Kangu.

E a sinergia entre as duas companhias veio no momento certo, já que desde o surto de COVID-19, com lockdowns generalizados e restrições de mobilidade, o e-commerce ganhou novo fôlego, tracionando a companhia e permitindo que ganhasse ainda mais escala. 

Não é a toa que, em 2022, o Mercado Livre gerou uma receita líquida de US$ 10,5 bilhões, quase equivalente às receitas combinadas de 2020 e 2021. 

Receita gerada pelo Mercado Livre entre 2012 a 2022
Receita gerada pelo Mercado Livre entre 2012 a 2022 | Fonte: Statista

Os usuários ativos únicos do marketplace também cresceram significativamente após a pandemia, chegando a 148 milhões em 2021, quase metade de todos os usuários de e-commerce na América Latina.

De igual modo, em 2020, o crescimento da Kangu aumentou mais de 100 vezes em comparação ao período anterior, surpreendendo até mesmo os próprios fundadores da empresa. 

Atualmente, após quatro anos desde o seu lançamento, a logtech conta com um número de postos 90 vezes maior do que qualquer outra intermediadora de fretes, com operações que se estendem por quatro países da América Latina (Brasil, México, Chile e Colômbia) e uma ampla rede de parceiros (quase 15 mil pessoas). 

Além disso, em números, a empresa já enviou mais de 140 milhões de encomendas, possuindo cerca de 3.500 pontos de coleta e retirada de mercadorias, bem como parcerias estratégicas com 10 transportadoras em seu marketplace logístico.

A aposta em um modelo logístico urbano e flexível

Dados do Marketing Profs (2022),  mostram que 53% dos consumidores cancelaram ou abandonaram a compra devido a lentidão ou dificuldades na etapa de entrega.

Está cada vez mais claro por que a entrega rápida é importante para qualquer espécie de negócio. Imagine perder mais da metade de seus clientes por falhas na logística?

Nesse cenário, é fundamental repensar a forma como ela é realizada nos centros urbanos e é, justamente nesse ponto, que a Kangu se destaca ao apostar em um modelo logístico urbano e flexível, que não apenas acelera a transição para cidades sustentáveis, mas também transforma a experiência de entrega de encomendas em algo positivo. 

Vejamos algumas de suas principais iniciativas para elevar o padrão de suas entregas: 

  • utilização de inteligência digital para direcionar o tipo de veículo adequado para cada trajeto, contribuindo para uma logística com menos impacto nos centros urbanos;
  • disponibilização de meios de transporte alternativos de baixa emissão de carbono, como bicicletas, patinetes e carros elétricos, com o objetivo de combater o efeito nocivo da emissão de gases do efeito estufa e tornar o ar das cidades menos poluído;
  • atenção à saúde de seus transportadores, oferecendo trajetos que visam reduzir acidentes e proporcionar qualidade de vida também para quem transporta as encomendas;
  • estímulo ao comércio local dos bairros, conectando vizinhos, incentivando encontros e fazendo da entrega de encomendas um elo de conexão entre cidadãos;
  • integração com os seus parceiros, oferecendo soluções personalizadas para cada tipo de negócio, seja você um vendedor online ou offline, um consumidor final ou um ponto comercial. 
 

Em resumo, através dessa parceria, o Mercado Livre criou um atalho estratégico para reduzir a desvantagem que existia em relação aos seus principais concorrentes, ampliando consideravelmente os seus pontos de contato e agilizando as entregas e retiradas das compras feitas em sua plataforma.

Reversa em apenas 1 clique: simplificando a experiência pós-venda 

Assim como outras gigantes da indústria, como Vivo e Coca-Cola, a Kangu busca criar um processo de logística reversa simples e eficaz para as trocas e devoluções de seus clientes.

Ao contrário das lojas físicas, onde essa ação é feita no próprio local, nas lojas virtuais o consumidor precisa entrar em contato com o vendedor para iniciar o processo de retorno do item comprado. O vendedor, por sua vez, aciona a modalidade que quer utilizar para receber o objeto e gera uma autorização de postagem ou solicita a coleta domiciliar ao consumidor.

De acordo com uma pesquisa feita pela Statista, 56% dos entrevistados relataram que seus custos de reversa aumentaram no terceiro trimestre de 2021 e 55% deles esperavam que os custos aumentassem ainda mais no último trimestre do ano.

Custos em reversa no 3 e 4º trimestres de 2021
Custos em reversa no 3 e 4º trimestres de 2021 | Fonte: Statista

Além disso, outra estatística que chama a atenção, mostra a parcela de empresas que estão terceirizando a sua gestão de retornos (69% dos entrevistados), o que demonstra o oceano azul de possibilidades que as operações relacionadas ao reaproveitamento de produtos e materiais, incluindo remanufatura e reforma, reservam.

Dito isso, em um negócio, seja ele qual for, uma política de troca e devolução bem estruturada pode ser decisiva para um consumidor concluir ou desistir da compra, quanto mais simples ela for, mais tranquilo o cliente fica e mais credibilidade o vendedor conquista.

Afinal, apenas ter um bom produto não é garantia de sucesso. Toda a experiência – desde o momento da compra até o pós-vendas – conta. Pensando nisso, a Kangu oferece cinco modalidades de logística reversa:

5 modalidades de reversa da Kangu
As 5 modalidades de reversa da Kangu | Fonte: Kangu

De fato, não é difícil entender como essa startup se destacou no mercado e conquistou a preferência de tantos players do mercado.

Promover a lealdade e enriquecer os relacionamentos exige mais do que resolver os desafios individuais de cada cliente e combater os incêndios à medida que eles surgem, tem a ver com se antecipar às suas necessidades e prioridades de um mundo incerto, volátil, inseguro e ambíguo.

Mas há ainda muito a avançar, especialmente em decorrência do tamanho do país. Segundo bem pontuado por Eugênio Foganholo, sócio da consultoria especializada em varejo Mixxer: “A nova fronteira dos marketplaces chama-se logística e todas as empresas da área estão correndo atrás de soluções para prestar o serviço mais rápido de entrega de mercadorias”. 

 

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  • Amanda Moura

    Amanda Moura é formada em Ciências Sociais e do Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e se dedica a estudar comportamento, consumo e tendências.

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