Cross docking: o que é e como funciona?

O cross docking é uma ótima alternativa para melhorar a gestão de estoque, reduzindo custos e aumentando a agilidade na hora da entrega.
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Todo gerente sabe o problema que uma má gestão de estoque pode causar. Além de mais custos de armazenagem, mercadorias paradas significam também dinheiro parado!

Nesse sentido, o cross docking é uma ótima alternativa para evitar que isso aconteça.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), descobriu que o varejo brasileiro perdeu cerca de R$ 23,26 bilhões em 2020 devido a  quebras operacionais, furtos externos, erros administrativos e de inventário, e essa não é uma questão exclusiva do setor. 

De acordo com a Klassmatt, mais de 70% das empresas perdem vendas devido a falhas na gestão de estoques. 

Assim, um gerenciamento de estoques eficiente é um dos principais caminhos para mudar essa realidade, fazendo do cross docking um grande aliado. 

Neste artigo, você entende mais sobre a modalidade logística que se propõe a diminuir o tempo de armazenagem de mercadorias e mesmo com a eliminação total do estoque, aumentando a eficiência e diminuindo os custos. 

O que é cross docking?

O termo cross docking surgiu em 1930 para descrever um processo de distribuição em que as mercadorias descarregadas pelos navios eram deixadas em armazéns, colocadas em esteiras e logo depois transportadas de acordo com as rotas previstas. 

O principal objetivo era otimizar o tempo de entrega, classificando diferentes itens de acordo com o destino final.

Em outras palavras, o cross docking ou ”cruzamento de docas”, em tradução livre, pretende evitar o uso de estoque físico através de um sistema de distribuição em que o pedido é despachado para um centro de distribuição ou armazém, sendo expedido para o consumidor final imediatamente. 

Esse sistema faz parte da metodologia lean, um tipo de gestão logística com foco em evitar todos os tipos de desperdício, além de melhoria constante.

Tipos de cross docking

Teoricamente, existem 3 níveis de cross docking: paletizado, com separação e com separação e reembalagem:

  1. Paletizado: os produtos chegam de diferentes fornecedores ou fábricas, seguindo diretamente para os clientes – sem seleção ou preparação;
  2. Com separação: os produtos são recebidos e separados por região de entrega;
  3. Com separação e reembalagem:  nesse caso, os produtos são separados e reembalados, realizado principalmente por empresas que precisam integrar o processo de entrega e distribuição. 

Pilares do cross docking

Basicamente, existem três aspectos fundamentais para as operações de cross docking. 

O primeiro tem a ver com o período mínimo de permanência do produto onde acontece o cross docking. Para alguns serviços logísticos, esse tempo não deve ultrapassar o período de 24h enquanto para outros, as taxas de estocagem só são cobradas se as mercadorias permanecerem até três dias, ou seja, as mercadorias devem ficar esse tempo. 

O segundo aspecto do cross docking é a agilidade na hora do despacho. Após o recebimento, a mercadoria deve ser despachada imediatamente para o veículo de saída, se não for possível, deve ser mantida na área de picking.

É importante esclarecer que nesse ponto, não é possível optar pela estocagem, já que o estoque não integra o conceito de cross docking.

A terceira condição para que esse sistema funcione é a necessidade de um sistema para organizar as trocas de mercadorias e informações. É importante que essa organização considere o período em que a frota alcançará o operador de cross docking (OCD).

Qual a diferença entre cross docking, transit point e distribuição tradicional?

No caso da distribuição tradicional, as mercadorias chegam do fabricante e depois são estocadas em um armazém. Quando um pedido chega, é preciso retirá-lo do armazém e despachá-lo por caminhão ou outro modal de transporte. Embora esse processo possa ser automatizado, geralmente é realizado manualmente por funcionários. 

O crossdocking, por sua vez, diminui ou até elimina a necessidade de armazenamento e despacho, já que após o recebimento, a mercadoria deve ser despachada imediatamente para o veículo de saída.

Outra definição que gera dúvida nos profissionais de logística é a de transit point. No caso desta instalação,  todos os produtos possuem destinos fixos e já são alocados para a entrega ao cliente. 

No cross docking, antes das mercadorias chegarem ao destino final, as mercadorias passam por um centro de distribuição.

Essa diferença acontece principalmente, quando os produtos são fornecidos de diferentes locais, para que os veículos não esperem para completar o trajeto de transporte.

Tanto o transit point quanto o cross docking possuem vantagens operacionais competitivas, no entanto, o primeiro beneficia ainda mais produtos que são comercializados localmente, enquanto o segundo quando são entregues a nível nacional.

Quais são os tipos de cross docking?

Além dos aspectos que caracterizam o crossdocking, existem algumas subdivisões que influenciam seu funcionamento, classificadas de acordo com o número de toques (stages) que os produtos recebem. 

Os chamados toques referem-se à quantidade de vezes em que as mercadorias são manuseadas pelos operadores logísticos durante a distribuição. Quanto menor esse número, maior a eficiência!

Desse modo, as subdivisões são: movimentação contínua, movimentação consolidada ou híbrida e movimento de distribuição.

Movimentação contínua (um toque)

Considerado o modelo mais tradicional, ocorre quando o fornecedor entrega os produtos no centro de distribuição e a transportadora encaminha para o consumidor final. Esse tipo de movimentação é ideal para mercadorias padronizadas, de alta demanda e baixo valor agregado.

Movimentação consolidada ou híbrida (dois toques)

Essa subdivisão varia entre a movimentação contínua e a estocagem. Nesse caso, a carga é dividida; enquanto uma parte é enviada para o CD, a outra é direcionada ao estoque, para que os itens sejam combinados e completem o pedido que foi realizado em diferentes marketplaces.

A movimentação híbrida também inclui pedidos de diferentes clientes que moram em uma mesma região. Nesse caso, grande parte dos produtos são variados e apresentam demandas médias. 

Movimento de distribuição (três toques)

Neste caso, os produtos são recebidos em um armazém e passam por uma separação por pedido ou por região, depois se juntam a produtos complementares e só então são despachados para a entrega.

Esse movimento é ideal para cargas personalizadas e de alto valor agregado. Essa modalidade é comumente utilizada por empresas, ou seja, no modelo B2B (business to business). 

Principais vantagens do cross docking

Além de diminuir a preocupação com estoque, a eficiência logística do cross docking é expressiva, já que torna a operação mais enxuta, reduzindo custos em todas as etapas.

Assim, algumas das principais vantagens do cross docking para as empresas são: 

  • Redução de gastos com estoque
  • Custos logísticos mais baixos
  • Maior agilidade na hora da entrega
  • Melhor aproveitamento dos veículos de entrega
  • Sem estoque, há mais liquidez de capital, o que melhora o aproveitamento do capital de giro
  • Com a redução do manuseio das mercadorias, as chances de avarias e danos também diminui
  • O transporte ágil economiza energia, aumentando a sustentabilidade da operação
  • As entregas são feitas rapidamente, o que melhora a experiência do consumidor e tende a aumentar a retenção

Principais desafios do cross docking

Caso esteja pensando em implementar o cross docking, é importante considerar alguns aspectos relevantes antes de optar por esse sistema:

  • É necessário ter uma área de acondicionamento,o que exige reformulação do armazém
  • Investimento em um armazém mais automatizado, implementando um Sistema de Gerenciamento de Armazéns (WMS) 
  • Integração efetiva de toda a cadeia
  • Sincronização entre demandas e fornecedores 
  • Considerando a ausência de estoque, as chances de stock-out aumentam.

A metodologia exige um bom planejamento e organização. Portanto, para que os cross docking seja implementado corretamente, é preciso: 

  • Alinhamento entre todas as partes envolvidas
  • Boa comunicação entre empresa e fornecedores
  • Liderança com visão holística sobre o supply chain
  • Rotas inteligentes para facilitar as entregas
  • Separação correta da mercadoria na área de transbordo

Saiba se é o cross docking é uma opção para sua empresa

A eficiência do cross docking faz dele um modelo atrativo para as empresas, mas é preciso estar atento às particularidades do seu negócio para se certificar de que ele realmente será vantajoso. 

A seguir, separamos alguns pontos essenciais que você deve saber antes de implementá-lo na sua empresa:

Fluxos estáveis e previsibilidade: caso você tenha uma base de clientes estável e que compram regularmente, o cross docking funcionará muito bem. O modelo B2B tende a ter maior previsibilidade de demanda, conseguindo lidar melhor com a falta de estoque. 

Produtos perecíveis: o cross docking também é uma ótima opção para empresas que trabalham com produtos com baixa validade, já que o estoque tende a ser naturalmente reduzido.

Promoções e alta demanda: datas comemorativas, em que normalmente a demanda é maior, o cross docking é uma ótima opção para otimizar as entregas.

Em suma, a implementação do cross docking é norteada por vários fatores, senso custo e agilidade, alguns dos principais.

Ao unir o cross docking à estratégia de distribuição pode aumentar a agilidade na entrega e principalmente, a satisfação dos clientes.

A falta de estoque, por exemplo, tende a aumentar a competitividade da operação, preparando o negócio para uma competição cada vez mais acirrada.

O Walmart, um dos maiores varejistas dos Estados Unidos, implementou o cross docking ao seu supply chain em 1998 e reduziu consideravelmente seus custos de distribuição, que na época, representavam 1,7% do faturamento. Atualmente, a estimativa é que cerca de 85% das suas mercadorias são distribuídas em cruzamento de docas.

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  • Amanda Moura

    Amanda Moura é formada em Ciências Sociais e do Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e se dedica a estudar comportamento, consumo e tendências.

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